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A palavra do ano

Por: Artur Ricardo Siqueira


O agronegócio brasileiro não pode sofrer as consequências de informações incompatíveis com a realidade ambiental do País.


Ao final de todo ano, o dicionário britânico Oxford divulga a palavra do ano. O termo geralmente reflete o que de mais importante marcou os debates de uma forma geral, além de nos levar a uma série de reflexões sobre o tema.


Em 2019, a palavra – ou expressão – escolhida foi “emergência climática”. Segundo o próprio dicionário, a expressão é definida como “uma situação em que é necessária ação urgente para reduzir ou interromper a mudança climática e evitar danos ambientais potencialmente irreversíveis”.


Em uma visão mais holística, podemos claramente identificar que a pauta ambiental esteve constantemente presente nos noticiários nacionais e internacionais: aumento do número de focos de queimadas, avanço do desmatamento, catástrofes ambientais, estímulos à ocupação irregular de áreas, políticas de exploração econômica em terras indígenas, aquecimento global, entre outros.


O Brasil teve um protagonismo peculiar no cenário internacional, e, infelizmente, por uma série de discursos que transpareciam descaso e abandono com relação às causas ambientais, acabamos prejudicando nossa imagem lá fora e saímos de 2019 com verdadeiros vilões.


Diante de uma série de atos e comportamentos, não poderíamos exigir outra leitura da situação: enfraquecimento dos órgãos de fiscalização ambiental; descrédito de instituições oficiais de monitoramento de desmatamento; confusão entre soberania e gestão ambiental da Amazônia legal; ofensas desarrazoadas a líderes internacionais; e, por último, provocações a uma garota sueca de 16 anos, autista, eleita personalidade do ano pela revista “Time”, e que tem por objetivo apenas alertar o mundo sobre as mudanças climáticas.


Em razão dessa conduta omissa, o Brasil – principalmente o agronegócio – sofreu uma série de sanções: embargos a determinados mercados – mais exigentes –, perda de investimentos, como ocorreu na COP 25, queda de competitividade, além de manchar a imagem do agronegócio brasileiro no mercado internacional. Não fosse a série de eventos específicos nos países importadores, que gerou um aumento da demanda por determinadas commodities, poderíamos ter um efeito negativo para a balança comercial.


A palavra escolhida para 2019 apenas nos alerta que a pauta ambiental é prioridade de vários países e parceiros comerciais do Brasil; seja pela real preocupação com o meio ambiente e o aquecimento global, seja pelo velado protecionismo de mercado. Por isso, não há outra alternativa senão a promoção de políticas ambientais sólidas, maior transparência nos órgãos de gestão e controle, além de investimentos na proteção ambiental.


O agronegócio brasileiro não pode sofrer as consequências de informações incompatíveis com a realidade ambiental do País. É preciso, portanto, refletir sobre o grande ensinamento de 2019: um dos maiores problemas do Brasil, em especial nas pautas ambientais, está no discurso.

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